O preço do mau líder


Complicações na saúde dos colaboradores podem sinalizar um pedido de licença para respirar. O líder que tem consciência sobre si e controle de suas emoções sabe usá-las para o bem-estar de toda a equipe e de si próprio

Não é mais novidade que o ambiente de trabalho interfere diretamente na saúde dos colaboradores. Cada vez mais, o mundo científico tem pontuado os efeitos subjetivos dos comportamentos e relacionamentos. A reflexão que faço é: qual parcela cabe ao líder neste contexto? E como obter uma liderança sustentável frente à qualidade de vida?

Um estudo sueco, do Instituto Karolinska e da Universidade de Estolcomo, já sinalizou que os chefes ruins não apenas elevam o estresse no trabalho, como também podem aumentar o risco de doenças cardíacas entre seus colaboradores. Esse é mais um sinal revelado e atestado cientificamente, mas não é preciso ir tão a fundo para perceber como as adversidades e dificuldades no ambiente de trabalho nos afetam. Demissões, aumento da sobrecarga de trabalho, cobranças, diminuição de salários e bonificações e tantas outras coisas podem agir como um turbilhão e comprometer o equilíbrio emocional.

Afinal, diante de tudo isso, haja físico e mente que aguentem! O corpo reage primeiro no nível emocional – insegurança, ansiedade, estresse, irritação, depressão, baixa estima -, depois vem a taquicardia, o cansaço, a insônia, a gastrite, a hipertensão, só para citar algumas reações. E o ciclo segue com desânimo, sensação de perseguição e desatenção, o que pode culminar com a queda de performance e produtividade.

O líder tem, sim, papel estratégico e fundamental na saúde e no clima organizacional como um todo – ainda mais nos períodos das tempestades. Ele pode e deve fazer das situações adversas suas aliadas para obter um grande diferencial no comportamento e relacionamento de sua equipe. Uma das principais chaves para isso é o desenvolvimento da Competência Emocional.

O líder que tem consciência sobre si e controle de suas emoções sabe usá-las com autenticidade para o bem-estar de toda a equipe e de si próprio. Os resultados positivos são certos: ele consegue enxergar soluções e possibilidades naquilo que outros veem como caos porque possui, primeiramente, equilíbrio interno. Passa a ser um líder saudável, longevo, que possui qualidade para manter e preparar seus liderados e, assim, obter uma liderança sustentável.

De que forma alcançar esses resultados? Você já deve ter percebido que a resposta não está no conteúdo intelectual e, por isso mesmo, a extensão do caminho será diferente para cada um. Entretanto, o primeiro e fundamental passo é mergulhar, profunda e verdadeiramente, dentro de si, no autoconhecimento. É perceber-se, inicialmente, sem julgamentos, para que possa realmente conhecer como agem as emoções que regem todos os seus comportamentos. Com o tempo e com consciência é que você pode passar a agir com real controle. Isso significa gerir a si próprio antes da equipe.

Quando o líder compreende suas emoções, ganha capacidade para compreender e influenciar outras pessoas, criando um clima de colaboração, sinergia e confiança mútua. O caminho não é fácil, mas estar aberto e consciente para se reconhecer é realmente o primeiro passo.

Escreva um comentário:

[i]
[i]